terça-feira, 5 de abril de 2011

Simplesmente eu...


Sei que não há como convencê-lo de que isto não é um truque, mas não faz mal. Sou eu!
Meu nome é Sergio.
Não creio que viverei o tempo que gostaria e quero falar sobre a minha vida.
Esta é a única biografia que eu vou escrever e faço isso nos pedaços de minhas memórias. Nasci em Volta Redonda RJ, em 1980. Não me lembro muito da infância, mas eu me lembro da chuva, o dia frio e nublado, do meu peito apertado por sentir falta de uma pessoa, alguém importante e que não pude ter como todas as outras crianças tiveram... minha mãe. Não me lembro dos meus avós, alguns deles nem cheguei a conhecer, mas uma tia que eu chamava de avó me disse que a chuva é boa, a chuva sempre me pareceu ser especial, divino... porque ela é muito similar às minhas lágrimas... tiram um peso enorme de mim, me deixando tão leve que chego a pensar que posso voar!

Ao longo da vida percebi que me contaram uma grande mentira.
A mentira que se ama uma única vez na vida. Não, de fato não é assim, porém também, não é algo prazeroso amar e não amar mais, até porque quando eu amo e depois perco o amor a dor é indescritível, muitas vezes por “mérito” meu, outras não!
Alguns amigos diziam que era uma fase da vida que eu superaria. Mas só agora as cicatrizes estão fechando... E a última, ainda aberta, permanecerá assim por muito tempo para me servir de criada, me avisando que sou um ser humano passível de erros, porém não posso fugir das conseqüências desses erros.
Percebi que há uma necessidade latente dentro de mim. Muitas coisas aconteceram na minha vida, despertei sorrisos e lágrimas, alegria e tristeza, prazer e dor, chagas e cura, ganhos e perdas... No entanto, só agora consegui olhar para dentro. Fechei meus olhos e vi muito além do que poderia imaginar! Não poderia ter feito isso sem a “ajuda” de umas pessoas e, claro, a minha. Eu contribuí caindo e essas pessoas contribuíram me apontando uma forma de me levantar!
Infelizmente não posso citar nomes com o risco de cometer injustiças esquecendo de algum, mas aqueles que sabem que contribuíram comigo e somam em minha vida se identificam aqui!
Se não fosse trágico, diria que é engraçado o fato tão natural de pedir por uma chance e não perceber que não me dei uma chance, em momento algum, logo como poderia ter uma chance de outra pessoa?!
Tenho uma necessidade de reunir ferramentas para realizar uma reforma íntima. Então, sem perder tempo, coloquei mãos à obra!

Em 2000, eu descobri algo sobre mim que me fez mudar, descobri que estava vivo e não apenas fazendo “volume” no mundo. Foi o papel mais importante da minha vida, não pelo que descobri, mas como atuei neste cenário de transição onde minha personagem é um cubo em um mundo onde as esferas predominam. Enquanto as esferas rolavam com delicadeza, suaves seguindo suas direções eu já não tinha essa sutileza de movimentos, mas por questões de sobrevivência precisei encontrar meus caminhos. Foi quando a ausência de outra pessoa, meu pai, me fez sentir muito!
Após um certo tempo as palavras foram mudando de significado. Lembro-me de como "saudade" virou "dor" e “passado” se tornou sinônimo de “paz”. Ainda não entendo por que é difícil amenizar a força de alguns sentimentos que insistem em se manter no peito. Nunca chorei tanto na minha vida. Desde então tem sido os melhores anos da minha vida, pois cada dia é uma conquista sem igual. É claro que sempre tenho meus tropeços, mas a perseverança e a esperança de dias melhores sempre prevalecem de forma que me mantém insistindo na teimosia de vencer.
Acordar de manhã sabendo que tenho um emprego e que mereci por ele, sair da cama e ter a consciência de que sou capaz disso, transformar uma vida, aparentemente, dependente em independente e ainda ajudar outras pessoas diretamente e indiretamente é muito bom!
Parece estranho percorrer o longo caminho da vida passando por vários vales de escuridão, lugares tão horríveis, mas quando percebo um ponto de luz me dou conta de que toda escuridão serviu para acender a vela que há no meu coração e na minha mente, guiando meus passos na jornada da vida.

É muito difícil pedir perdão à alguém, mas é mais difícil se perdoar. Não sei como será o final da estrada, pode ser aqui, ali, ou em qualquer outro lugar. O tempo é um fator que, para esse fim, não interessa muito já que o importante é o que fiz e não quanto fiz . Cada pedacinho do meu ser perecerá em cada pedra que eu encontrar no caminho, e é verdade que muitas delas fui eu quem chutou para mais adiante pisar novamente e só percebendo elas depois que já pisei.
Cada pedacinho... Menos um. O da integridade. É pequeno e frágil... Entretanto, este pedacinho mantém a chama interna iluminando esperança e provendo forças... é a única coisa que vale a pena ter. Eu jamais devo perdê-lo. Nem deixar que o tomem de mim.
Espero que, quem quer que você seja, escape das paredes de pedra que nós mesmo criamos ao nosso redor, assim como criei as paredes da minha vida, me impedindo de ver além, me tornando escravo dos alicerces destas paredes como o orgulho, o ego, o coração leviano...

Espero que o mundo mude e a vida fique melhor. Mas o que mais quero é que entenda a minha mensagem...Quando falo que mesmo sem conhecer você... E mesmo que talvez jamais conheça você, ria com você, chore com você, ou beije você... 

Eu amo você. 
De todo o coração... 
Eu amo você.




Sergio A. Oliveira Neto

3 comentários:

  1. Ah amor ficou lindo seu texto...te admiro muito e cada dia mais.
    Te amo

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  2. Que texto lindo!!
    me vez viajar, sentir, refletir...
    Parabéns!!

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  3. Patrícia Oliveira da Silva25 de fevereiro de 2012 17:51

    Oi..emocionante e lindo seu texto...parabéns! te admiro muito e espero poder estar sempre do teu lado. bjos..sua menina..Paty.

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